O bicampeonato dos Primeiros Campeões trouxe de volta ao CJE a alegria das comemorações de antigamente.
POR KLEBER SOARES
da 35ª turma de Jornalismo da USP/ Jormat 2001
“Algum time tem interesse em contratar um bom bebedor corneteiro (eu)? Minha turma (jormat 2001) não tem mais time…” (Klebão)
“Quem levar Klebão pode ganhar, de brinde, o reforço do lateral esquerdo improvisado Caio Cavaco, também da gloriosa 35ª turma de jornalismo ecano, também sem time.” (Caio)
“Quando é que vai ser a Copa CJE? Dependendo do dia e se alguém quiser um goleiro veterano, mas ainda em atividade, me junto ao Klebão e fico à disposição. Abs!” (Juliano)
Começou assim, meio sem querer, a caminhada do Jormat 2001 rumo ao título da Copa CJE 2009 – Taça Fora Maria Laura. Com todos os membros já formados há algum tempo, e sem equipe completa para o certame, três jogadores do time tentaram se infiltrar em outros turmas por meio do e-groups dos veteranos do futcampo, mas foram quase que sumariamente ignorados. Digo quase porque alguém acreditou na equipe: Giuliano Ronco, ex-aluno de AV e tricampeão do InterECA, que mandou e-mail confirmando presença na equipe. Giu ocupou a vaga de “estrangeiro da USP” – cada equipe tinha direito a chamar um jogador de fora do CJE, tendo a USP como limite. Apesar disso, tínhamos só quatro jogadores, como bem lembrou o novo reforço:
“Eu, klebao, caio, juzao, falta um, que vai?”
A esperança veio de Brasília, quando Chico, hoje diplomata, confirmou que estaria em São Paulo no fim de semana do torneio, e que jogaria. Com Giu já contratado, e cinco garantidos, faltava agora agregar mais reforços. Artur Louback e Dennis Barbosa, da turma de 1999, foram convidados. Coube a Caio fazer o convite:
“Amigos,
Estamos formando um time para a disputa da lendária Copa CJE. A edição 2009 será nesse domingo, 02, a partir das 10h.
Juliano e Dennis revezam no gol e na linha.
Caio, Giu Ronco e Chico estão confirmados (esse último, se der pra trás, corre o risco de perder a eterna amizade com os demais membros de sua turma e acelerar sua expulsão do país).
Klebão é o capitão e corneteiro oficial.
Artur, Deus queira, irá confirmar presença e reforçar o time.
Shibuia, o japonês imprevisível, está fora.
Iluminados pelos sucessos recentes de Mike Rourke e Rocky 10, vamos nos preparar durante a semana para esse ressurgimento triunfal.
Abraços
Caio Cavechini”
Dennis aceitou de bate pronto, e Artur manifestou interesse, mas não pode comparecer devido a uma viagem. Íamos com seis mesmo, beleza!
Inscrição confirmada, tabela montada, mas a confiança ainda não era total. Até que veio a cereja do bolo, mesmo que um pouco barbuda: era Julián Fuks, sem time devido à desistência da Máfia, eterna vice. Depois de ouvir propostas mirabolantes de MRCA (Jornot 2003) e Amigos do Campos (Jornot 2000), Julián fechou com o Jormat 2001, muito mais ligado a seus princípios éticos, e, principalmente, futebolísticos – MAIS RAÇA QUE FIRULA!
O convite coube novamente a Caio, cartola da equipe. A proposta foi simples, sincera e irrecusável:
“Pessoal, estou convidando o Julián para o nosso time. Ele aceita se quiser, já recebeu outras propostas, mas será mais útil em um time que tem mais reservas que titulares.
Julián, de confirmados somos eu, Klebão, Juliano, Giu, Chico e Dennis Barbosa. Nossa proposta é devolver o caneco ao seu berço, os campeões de 2001. Vc será o Caetano [filho do professor Santoro, da ECA, que jogou pelo time na conquista do título de 2001] da vez, a arma surpresa.”
Julián, vislumbrando uma ascensão meteórica na carreira e o inédito título, aceitou:
“Grande Caio, maravilha! Rejeito todas as demais propostas e aceito a sua: assim aumentam as chances de meu futebol aparecer na TV e eu finalmente engatar uma carreira.
Bora jogar, galera!
Abraços,
Julián”
A confiança, enfim, havia chegado! O e-mail do goleiro Juliano deixa isso claro:
“Grande Julio, velho companheiro de zaga no nosso saudoso Futcampo. Sua contratação me empolgou bastante, dado o seu histórico de doação em campo e de um futebol eficiente, mesmo sem ser vistoso. Tou começando a gostar dessa brincadeira. Caião, mandou muito bem! Só espero que o Julio não tenha fechado com a gente por algum salário astronômico…hahahaha! Para mim, é a contratação do campeonato.
E vamo pro pau!
Abraços a todos,
Juliano”
Com a confiança em alta, o novo e derradeiro nome do time veio rápido: Primeiros Campeões 2001! Bom pra dar moral e também pra situar os mais novos na linha do tempo, mostrando que, em quadra, mais do que um time de veteranos, estava um time de tradição. A história começava a ser (bem) escrita!
No primeiro jogo do torneio, uma verdadeira final antecipada contra o Unidos da Cerca Frango: derrota por 2 a 1 (gol de Klebão), em um jogo bastante equilibrado. Capitão da Cerca Frango, Tatão desdenhou na saída de quadra: “fica tranquilo que vocês ainda podem ficar em segundo no grupo”. Acertou em cheio, Tatão: nas duas partidas seguintes, uma vitória por 4 a 2 (dois gols de Julián, um de Giu e outro de Klebão) sobre o Asilo Dona Ana (time dos Jormats 2008 e 2009) e um empate em 0 a 0 com o Imprudência (Jornot 2005) garantiram o segundo lugar.
Nas quartas-de-final, o jogo seria contra o Amigos do Campos, uma reedição da final de 2001. Caju e companhia queriam vingança, mas não conseguiram vencer a forte marcação dos Primeiros Campeões e foram atropelados por um sonoro e incontestável 4 a 0 (dois de Julián, um de Dennis e outro de Klebão), com direito a olé gritado pela torcida nos minutos finais. Destaque para o gol de cobertura feito por Julián e pela raça de Dennis, premiada com um golaço.
Na semifinal, 1 a 1 contra o Lindomar (Jormat 2005), com Giu guardando um e praticamente anulando Thiba, estrangeiro da EEFE. Na decisão por pênaltis, falou mais alto a estrela do goleirão Juliano, que pegou 2, fez o seu e comemorou com raiva o pênalti convertido por Klebão, que garantiu a vaga na tão sonhada final.
Na decisão, novamente o Unidos da Cerca Frango pela frente. A equipe de Tato, Cróvis e três “sem-time” do Jormat 2002 entrou confiante – quase de salto alto –, mas logo percebeu que o jogo seria tenso. Com atuações apagadas em quase todo o torneio, o global Caio Cavechini chamou a responsa, acordou e fez dois. Quando tudo parecia ganho, no entanto, Cróvis e German (de sapatilha e meia soquete) empataram para a Cerca Frango. O time era cascudo mesmo, e justificava a sua presença na quarta final consecutiva. Mas num rompante de talento e raça, Giu, aquele mesmo que acreditou nos desacreditados, fez o gol da vitória por 3 a 2. Depois de oito anos, a 35ª turma de Jornalismo, com ingresso em 2001, reforçada por Julián, Giu e Dennis (que conquistavam seu primeiro título na Copa), soltava o grito de “É CAMPEÃO!”
O bicampeonato dos Primeiros Campeões trouxe de volta ao CJE a alegria das comemorações de antigamente. Ao som de “o campeão voltou”, os atletas da equipe deram a volta olímpica, exibindo o troféu conquistado em 2001, e coroaram a conquista com o tradicional mergulho peixinho na quadra.
Pelos e-mails, blogs, twitters, orkuts e corredores mofados do CJE circula agora a história dos veteranos que deram a volta por cima, atropelaram os adversários na raça e se transformaram em ETERNOS CAMPEÕES!

